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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Motoristas em Toronto têm que ter bola de cristal pra saber onde podem estacionar!

Post de utilidade pública!

Eu detesto gastar dinheiro à toa, então na viagem que fizemos semana passada ao invés de estacionar num estacionamento perto do aeroporto que ia me custar mais de $100 além do tempo pra esperar o shuttle etc, decidi parar na rua do nosso cumpadre e pegar um táxi de lá.  Ele mora "a $20 de táxi" do aeroporto, numa rua super tranquila, então saia mais rápido e mais barato estacionar na frente da casa dele e pegar um táxi.

Pedi pra ele confirmar se eu poderia estacionar lá na rua, se não tinha nenhuma placa nem nada (dá até nó na cabeça pra conseguir processar as informações nos postes aqui - alguns chegam a ter mais de 6 placas, como na foto ao lado).  All clear na rua do cumpadre, assim o fizemos.

Na volta, fomos gentilmente recebidos com uma multa!  A multa diz que a infração foi "Park longer than three (3) hours".  PQP, não tem placa dizendo nada!  Tenho que ser adivinha agora?  Fiquei p. da vida, pois imagino que um vizinho dele tenha chamado o pessoal pra multar, pois a rua dele é deserta, só passa raccoon e olhe lá.  Pelo menos a multa é só $15 e não dá pontos na carteira (e mesmo com a multa ainda saiu mais barato que parar no estacionamento do aeroporto).

Eu comentando isso com uma colega de trabalho e ela disse que a mesma coisa aconteceu com a irmã dela, que ela contestou a multa, teve que ir no juiz e não adiantou, que aparentemente tem uma regra que diz que não se pode parar por mais de 3 horas nas ruas, mesmo que não haja nenhuma placa dizendo isso.

Eu inconformada continue googlando e eis que encontro no site da prefeitura da cidade:

Q.What are the rules for parking on the street in Toronto?
A.In the City of Toronto, a three-hour limit exists on public roads where no other parking regulations are posted. Signs advising visitors to the city of this regulation are posted at the access points to the city and when exiting from a Provincial highway. It is very important, therefore, to check signage before parking on any street in Toronto.


Aff!  Ou seja, você tem que ter bola de cristal!  Pois em nenhum momento quando tirei carteira de motorista em Toronto ou mesmo licenciei o carro recebi um livrinho de regras dizendo isso.  Na minha cabeça sempre foi "se não tem placa, é porque pode estacionar".  Acabei descobrindo "the hard way" e estou $15 mais pobre!

Fico até com medo agora de quais outras "hidden laws" podem estar por aí, assim como medo de estacionar em qualquer outra cidade.  Lembro de ver algumas placas realmente, mas sempre pensei que fosse só no inverno por conta da limpeza das ruas quando neva.  Bom, agora aprendi!







quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A carteira de motorista - Parte III

Hoje li um comentário em outro blog de uma pessoa dizendo cansada de posts sobre carteira de motorista, mas como o objetivo desse blog é ser informativo, vamos ao que interessa!

Como disse em outro post, marcamos as aulas de auto-escola com o Alexandre e posso dizer que, sem elas, teria sido impossível pra nós passar.  A estratégia dele para os imigrantes (que já têm muitos anos de carteira nas costas) é justamente ensinar as regras e truques que são particulares daqui e ensinar a passar na prova!

Assim que tiramos a G1, ligamos pra ele como número da carteira e ele mesmo marcou a prova e pagou com o cartão de crédito dele.  Ele marca em um test centre específico, lá em Etobicoke, e tivemos que esperar quase 1 mês pela prova prática.  Durante as aulas, ele fez o circuito que os examinadores fazem umas 20 vezes conosco, alertando para todas as "pegadinhas" do percurso (por examplo uma placa de Mississauga dizendo que a velocidade na cidade é 50km/h "unless otherwise stated" sendo que estávamos numa via de 70 km/h - aí a pessoa vê a placa, fica nervosa, vai a 50 e é reprovada por andar muito de devagar).  Ele faz a gente meio que memorizar a velocidade máxima permitida em cada uma das ruas do circuito, tomar cuidado para o carro não acelerar na descida, lembra que temos que fazer "shoulder check" o tempo INTEIRO, dá as dicas para entrar na highway na velocidade certa etc.  Ele inclusive nos orienta a colocar o espelho retrovisor um pouco pra cima, que nos força a virar o pescoço pra cima pra olhar e, dessa maneira, o examinador tem certeza que você olhou pro espelho.

Eu tive uma aula de 2 horas no domingo, uma de 2 horas na 4a e na 5a feira 11:15 era o meu teste.  Às 9:15 ele me pegou para a última aula, me mostrou como fazer o 3-point-turn, o parallel parking (o mais impressionante é que eu tive dificuldade nesse!  Eles mandam parar atrás de um carro, mas não com um carro atrás da gente - o que seria uma vaga.  Eu sem ter o carro de trás pra me orientar me embananava toda, já que a vida inteira só fiz baliza quando necessário, né?  Se não tem carro atrás a gente entra de frente e pronto, rs rs rs) e mais uma rodada geral pelo circuito.

Na hora do exame, veio um senhor de uns 70 anos, cabelo bem branquinho, ser o meu examinador.  Primeira pegadinha - havia um bando de adolescentes saindo da escola e atravessando fora da faixa, fiquei meio sem saber o que fazer, não podia passar por cima mas sabia que também não podia parar pra dar passagem.  Ele super fofo me orientou "we want to protect them, but we can't encourage jaywalking" - ou seja, não é pra fazer eye-contact nem parar totalmente para encorajar a atravessar fora da faixa, mas óbvio que não é pra passar por cima!  Fomos pra highway e fiquei toda feliz de ter conseguido entrar a 100km/h e ele me orientou que, quando não vem ninguém atrás, não precisamos necessariamente esperar chegar nos 100 (o Alexandre discordou disso, falou que ele é "old school" etc, mas entendi o ponto dele).  Quando estava quase acabando o teste ele me mandou virar numa rua que o Alexandre não tinha me levado!  Lá eu fiz o parallel parking (o Alexandre acha que nas ruas onde normalmente eles fazem o parallel parking não devia ter nenhum carro parado pra fazer o exercício, por isso ele me levou nessa outra rua, mais movimentada).  Depois a surpresa: ele me pediu pra fazer um U-turn!  Aqui é bizarro, quase todas as ruas são mão dupla e pode-se fazer em U-turn em praticamente todas elas.  Eu tinha feito com o Alexandre, mas não imaginei que fosse cair no teste - o Alexandre falou que foi justamente porque ele me levou pra essa rua diferente que precisei fazer.  Quando estávamos voltando pro test centre, ele falou pra virar à direita no próximo semáforo.  Estava vermelho e eu fiquei lá parada esperando ficar verde, nem me lembrei que aqui pode virar no vermelho!  Sorte que isso não conta ponto na prova, eu tentei disfarçar com um "alguns lugares como Montréal não se pode virar à direita no farol vermelho" e voltei conversando com o senhor até o local do teste.

Estacionei e ele começou a contar os pontos.  Fiz 8 erros e passei (o Alexandre falou que até uns 15 erros eles aceitam - óbvio que depende da gravidade do erro) - a maioria foi por andar muito devagar (por exemplo ao entrar na curva tem que entrar acelerando, muito estranho) e alguns por não ter olhado 200 vezes pros lados.  Agradeci o senhor pelas dicas que ele me deu também e ele falou que ele foi paramédico por 20 anos e viu muitos jovens sofrendo acidentes de carro.

Foi um alívio ter passado na prova (até porque eu precisei fazer o teste 4 vezes quando tinha 18 anos pra tirar carteira no Brasil) - ter a carteira G diminui o valor do seguro e permite fazer aluguel de carro por hora (vou contar em outro post).  Fora que se eu não tivesse passado teria que pagar de novo o road test (meu leitor Pedro me avisou que é $40 no caso, por ser o teste G2) além de mais aulas.

No final, pagamos 270 dólares cada um para o Alexandre pelas aulas e valeu muito à pena.  Vi em outro blog uma pessoa que fez o teste no mesmo dia que eu e foi reprovada mesmo tendo feito aula em auto-escola, mas pelo relato dela me parece que ela foi mal orientada, pois nem sabia direitinho o tal "shoulder check".  O Alexandre disse que isso acontece aqui, os caras não dão todas as dicas nas aulas pra forçar a pessoa a ter que fazer mais aulas depois.  Por isso, auto-escola, só com recomendação!

Pra quem estiver em Toronto o contato do Alexandre é 416-841-0666 - nussdrivingschool@hotmail.com

Agora só falta comprar o carro!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A carteira de motorista - Parte II

Olá leitores,

Long overdue... a continuação da saga da carteira de motorista. Para quem não leu, segue o link da Parte I.

Enfim, chegamos lá no Service Ontario um dia cedinho (umas 8:30) já orientados pelo funcionário quando fui da outra vez - no dia que eu fui tentar fazer a prova pela 1a vez sem a tradução cheguei lá meio-dia e pouco e a espera era de 3 horas.  Mostramos a documentação completa na recepção (leia a Parte I se você for tirar sua carteira em Toronto) e aguardamos um pouco para fazer o exame de vista e a prova escrita (uns 20 minutos, talvez).

Chegando no guichê, faz-se o exame de vista (100% de aproveitamento, uhu!) e entrega-se os documentos e paga-se a taxa de $85 ($10 pela prova escrita e $75 pelo direito de dirigir por 5 anos).  A mesma pessoa já tira a sua foto e coloca os seus dados no sistema que depois vão para sua carteira de motorista.  Aqui só uma observação: a pessoa coloca o seu nome EXATAMENTE como está no papel que você recebe ao entrar no Canadá (no nosso caso, o work permit e study permit) e não como está no visto (no meu caso, estava meu nome completo direitinho).  Problema: esse papel não tem espaço suficiente para todos os nomes (caso o seu seja minimamente comprido).  Acabei pedindo pra ela abreviar um dos sobrenomes e mantive último sobrenome, primeiro nome (que no meu caso é duplo) e inicial do 1o sobrenome.  O meu SIN card só tem o meu último sobrenome... já estou com várias identidades.

Depois entra-se na sala para fazer a prova escrita.  No nosso caso não teve computador não, foi papel e lápis mesmo.  Conforme bem lembrou a Marden no comentário do outro post, você pode pedir pra fazer a prova em português (ou francês, ou um montão de outras línguas).  Eu pedi pra fazer em inglês mesmo pois tinha estudado em inglês e achei mais prático "manter o padrão".  A prova não é tão fácilzinha não... e pior, como vamos fazer direto a prova prática da carteira G eu meio que passei batido no manual em tudo que dizia respeito as carteiras G1 e G2 - só que isso caiu na prova!  Coisas tipo: quantos pontos você perde se estiver dirigindo a carteira G1 e fizer infração X?  Foi um sufoco, fiquei super feliz quando a moça falou que eu tinha passado (já não tinha certeza de mais nada) - eles corrigem na hora mesmo e você sai de lá com um papelzinho dizendo que passou na prova.  Depois entrega-se o papelzinho em um guichê e na sequência você sai de lá com sua carteira G1 provisória (só um papel que precisa ser usado com um photo ID).

Uns 10 dias depois chegou a G1 pelo correio.  Até que saímos bem nas fotos.  A partir daí, já se tem um ID canadense e pode-se deixar o passaporte guardado direitinho na gaveta!

O próximo passo é marcar o road test, ou teste prático, que custa outros $75.  Aprendendo com os erros dos outros, já tínhamos a dica dos nossos cumpadres que, sem fazer aula de direção, praticamente impossível passar na prova.  Pior - se você pula para a prova G e é reprovado no road test, além de ter que pagar pra fazer de novo é obrigado a cair para a G2 (não é o fim do mundo, mas quem tem G2 normalmente tem seguro do carro mais caro e não pode fazer aluguel de carro por hora na AutoShare).  Seguindo indicação deles ligamos para o Alexandre, que é professor de auto-escola e não se lembra a última vez que um aluno dele reprovou (ótimo sinal).

O Alexandre é brasileiro e está aqui há uns 20 anos.  Ele sabe tudo de direção em Ontário, dá até aula para formar examinador - um especialista no assunto.  Ele mesmo marca a prova prática, pois ele marca num test centre específico.  Minha cumadre falou: faça tudo que ele mandar que você passa na prova.  Tivemos que esperar mais ou menos 1 mês pela prova prática - meu marido fez na semana passada e passou!  Uhu!

Essa semana é a minha vez.  Fiz a 1a aula com o Alexandre no domingo e o negócio é tenso "shoulder check, shoulder check", acelerar pra entrar a 100 km/h na highway quando a alça de acesso é minúscula (o carro gritando de tanto que eu acelerava)... ufa!  Cheguei em casa exausta!  Amanhã tenho mais uma aula e 5a é a prova e ainda terei uma aula antes da prova.  Wish me luck!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A carteira de motorista - Parte I

Como todos já leram em outros blogs, temos que tirar nossa carteira de motorista aqui no Canadá pois a do Brasil vale pouco tempo (em Ontario, 2 meses apenas para novos residentes - pra quem vem a passeio são 3 meses, mas é melhor não arriscar e providenciar tudo em 2 meses).  Em Ontario, os passos estão descritos nesse link do governo da província.

Para os brasileiros em Ontario:
- Passo 1: entrar no site do  Consulado Brasileiro em Toronto na seção de carteira de motorista.  Lá está tudo explicadinho o que você precisa levar no dia para pedir o tal papel comprovando que você tem X anos de carteira no Brasil.  Tem que levar a cópia de tudo mesmo e a money order de $18.75 por pessoa (se forem 2 ou mais pessoas, pode ser uma money order só.  Quem tem HSBC Premier não paga o valor da money order, que normalmente é de $6).  É só seguir os passos que não tem erro, uns 3 dias depois dá pra ir buscar.  O consulado é super central e acessível de metrô.

- Passo 2: fazer tradução da carteira de motorista.  Ué, eu li em outro blog que não precisava da tradução?  Pois é, eu também li em outro blog e na página do governo está claríssimo dizendo que precisa da tradução, mesmo assim resolvi (não) pagar pra ver.  Fui tentar fazer a prova e dei com a cara na porta.  Dica importantíssima: só são válidas traduções feitas por tradutores da ATIO - Association of Translators and Interpreters of Ontario.  Ah, mas eu fiz tradução juramentada no Brasil - azar amigo, jogou dinheiro fora.  Eu dei uma googlada rápida e achei a dica no blog Folha do Canadá de uma tradutora (Florinda), pesquisei o telefone dela no site da ATIO, liguei, fechei o preço (ela estava cobrando $30 pra uma pessoa, mas pra casal cobrou $40 pelas duas, ufa!), mandei as carteiras por e-mail (eu já tinha tudo escaneado).  Ela faz no mesmo dia, de um dia pro outro.  Fiquei de buscar amanhã.  Aí na hora ela pega a original pra dar aquela conferida "oficial" e pronto.

- Passo 3: estudar pra prova escrita.  Bom, isso vai de cada um, né?  Você pode comprar o livrinho em milhões de lugares (custa $19 + taxes), emprestar de alguém, pegar na biblioteca (você a essa altura já tem um cartão da biblioteca, certo?) ou estudar pela internet no Driver's Handbook Online.  Alguns conceitos são um pouco confusos, a maior parte das coisas são óbvias mas várias são bem particulares, então é bom pelo menos dar uma lida, apesar de eu já ter ouvido falar de gente que não leu e passou.  Eu dei uma lida pela internet (demorou um tempão, umas 4 horas, tem coisa pra caramba).

- Passo 4: pegar seus documentos e ir fazer a prova escrita: lembrete importante: tem que levar comprovante de residência.  Alguma coisa com o seu nome e o seu endereço comprovando que mora aqui.  Eles são bem flexíveis, aceitam contrato de aluguel, carta do banco..., acho que até a carta com o endereço onde você mandou entregar o seu SIN card eles devem aceitar (cheque antes se for seu caso).  No meu caso, levei a carta da empresa de seguros onde fizemos o seguro do apartamento.  Além disso, passaporte, a carteira de motorista do Brasil, a tradução e o papel do consulado.

Mas, onde fazer a prova?  O site só dá os lugares onde são feitas as provas práticas (todas no fim do mundo, longe do metrô).  Felizmente minha cumadre tinha me dito que tinha feito a dela na 777 Bay, que dá pra ir andando daqui de casa.  É no Service Ontario, tipo Service Canada, mas da província (para quem veio como imigrante a essa altura já conhece o Service Ontario pois foi lá fazer o OHIP - no nosso caso eu ainda não conhecia).  Dica - tem uma Dollarama no mesmo prédio, aproveitem a visita!  Não precisa marcar, mas fui hoje na hora do almoço e tinha uma fila gigante, espera de 3 horas.  O rapaz sugeriu de eu voltar outro dia umas 8 e pouquinho e fazer a prova direto.

Em breve, próximos passos da carteira de motorista de Ontario