quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A saga do seguro do carro (e Roadside Assistance)

Olá pessoal,

Conforme prometido, segue post sobre o seguro do carro.

Como todos já devem estar carecas de saber, no Canadá o seguro contra terceiros é obrigatório e deve ser feito com seguradoras particulares.  O seguro para cobrir o seu próprio carro é que é opcional, muita gente com carro com valor baixo nem faz pois não vale à pena.  O impressionante são os valores do seguro, principalmente para os recém-chegados: seguradora canadense acha que o mundo se resume a EUA e Canadá, então se você não tiver histórico de carteira de motorista ou outros seguros nesses dois países você é considerado de alto risco e o seu "premium" vai lá pra cima.

Mas, não tem como fugir, um dia você vai precisar fazer o seu 1o seguro de carro no Canadá, certo?  Então o jeito é engolir a raiva e enfrentar a fera.  A primeira coisa que eu fiz quando comecei a pesquisar carro foi ligar na seguradora que faz o seguro aqui do apto e perguntar quanto custaria para vários modelos de carro - a resposta foi em torno de CAD $450 por mês e não variava muito pelo custo do carro - popular ou pick-up, era tudo mais ou menos a mesma coisa.  Os principais problemas nossos eram a falta de histórico e o fato de morarmos em downtown Toronto, duas coisas que não tínhamos como mudar.  Ela só falou para eu evitar de comprar Honda pois é a marca mais roubada (pois é, existe roubo de carro no Canadá) e consequentemente os premiums são mais altos

Depois de fechada a compra do carro, cheguei em casa e comecei a ligar para várias seguradoras.  Aqui vai uma reclamação para o pessoal dos blogs: poxa, coloquem os nomes das seguradoras de vocês!  Vários blogs diziam "ah, consegui que a seguradora aceitasse a carta que eu trouxe do Brasil", "ah, consegui uma cotação de $200 por mês'', mas ninguém colocou o nome das tais seguradoras!  Vamos lá pessoal, informação completa pra ajudar quem está chegando, né?

Fiz várias simulações pela internet e depois ligava para as seguradoras para confirmar o valor - normalmente o valor que eles me confirmavam era basicamente o que aparecia na cotação pela internet mesmo, às vezes um pouco mais ou um pouco menos.  As seguradoras com as melhores cotações no nosso caso foram: Scotiabank, Desjardins e Belair.  Cotei também com a State Farm, com a PC Financial e algumas outras pela internet, mas essas últimas não tinham valores competitivos para recém-chegados, nem perca seu tempo.

Nisso o rapaz da loja me ligando pedindo o número da apólice para ele poder registrar o carro no meu nome, pressão total.  Decidimos pelo Scotia, pois era a cotação mais barata.  Na hora que liguei lá pra fechar a moça me disse que a atendente anterior tinha preenchido a ficha errado (ela tinha colocado que eu tinha tido carteira G2 no passado) e depois de alterado isso o seguro iria subir $50 por mês (e ia ficar o valor das outras).  Fiz uma leve pressão dizendo que então ia fechar em outro lugar e eles honraram a cotação anterior, acabou ficando tudo $350 por mês (ui, mas $100 a menos que a cotação original).  O próprio pessoal do Scotia enviou o fax para a concessionária com os dados da apólice e no final do dia o carro já estava licenciado, emplacado e pronto para a estrada!  Ah, surpresa boa, não tem tax em cima do valor do seguro, não sei se está incluído na cotação ou se o governo não cobra, mas com isso economizei 13% do valor.

Bom, uma coisa é certa, aqui o seguro do carro é alto mas não temos que pagar 4% do valor do carro por ano de IPVA, apenas a taxa de licenciamento que é baratinha.

Principais aprendizados da nossa saga:
1 - óbvio, pesquise MUITO!
2 - ninguém aceitou nossa carta da seguradora do Brasil para baixar o valor da cotação;
3 - analise bem as coberturas e o valor das franquias (deductible) na hora de escolher o seguro.  As cotações que recebi tinham franquia de $300 e de $1000 e o valor do seguro obviamente caía na de $1000 (não muito, mas de grão em grão...).  Optamos pela franquia de $1000 pois mesmo que aconteça algo com o seu carro você NÃO quer usar o seguro por dois motivos: usando o seguro vc fica com o histórico "manchado" e pode não ter tanto desconto no ano seguinte e, mais importante, aqui quando se compra carro usado é praxe as lojas apresentarem o relatório CarProof que mostra se já houve algum insurance claim no carro além de outras coisas e carro com claim perde muito valor de revenda;
4 - para quem compra carro de valor baixo (até uns $3,000), uma opção é fazer apenas o seguro contra terceiros que é obrigatório e não segurar o seu próprio carro, isso é muito comum.  Mas como compramos um carro mais novo e de valor mais alto, optamos pela cobertura completa dele;
5 - na lista de discussão do Yahoo me falaram que fazendo um curso teórico X de motorista tinham desconto no seguro (pelo menos em Ontario).  Perguntei nas seguradoras e o desconto era menor que o valor que as auto-escolas cobram pelo tal curso, portanto, nada feito;
6 - Quem coloca pneu de neve (não é obrigatório aqui em Ontario) tem desconto de 5% do valor da apólice.  Nós temos apenas o all-season e optamos por não comprar os pneus pois, de novo, sairia mais caro que o tal desconto (fora o custo da troca e balanceamento 2xs por ano) e também não temos onde armazenar os pneus e isso seria outra despesa.  Pesou o fato de o meu caminho para o trabalho ser apenas por vias principais e pela highway, que é a 1a a ser limpa em caso de tempestade;
7 - Esqueça aquela mamata do Brasil de guincho, chaveiro, encanador etc etc tudo grátis no seguro do carro.  As seguradoras que cotei ofereciam um pacote chamado "worry free", que reembolsa $50 caso você precise de guincho ou chamar alguém pra dar partida no carro, por exemplo.  Uma coisa bacana do worry free é que inclui seguro para carros alugados - ou seja, se você alugar um carro nos EUA ou Canadá o carro está coberto mesmo sem vc comprar o seguro da locadora (às vezes mais caro que a diária do carro).  Muitos cartões de crédito oferecem isso, mas cobertura extra nunca é demais.

O tópico 7 nos leva a outro assunto, o Roadside Assistance.  A Marden tinha me dado essa dica e falou que tem o CAA (Canadian Automobile Association).  Dei uma pesquisada rápida e achei os planos do CAA meio caros, uns $100 por ano.  Durante as minhas cotações, algumas seguradoras perguntavam se eu tinha Roadside Assistance, não sei se isso pode afetar o valor do seguro.  Mas enfim, dada a importância do assunto e o medo de ter que morrer com uma bela grana para guinchar o veículo em caso de pane, fui atrás.  Acabei encontrando um plano bárbaro da Canadian Tire que é pay-per-use: a pessoa paga $23.88 por ano pela associação e, se precisar de assistência, paga um valor fixo de $44.50 por chamado - como nossa seguradora reembolsa $50, ficamos no zero a zero.  O mais bacana é que esse plano cobre os motoristas (2, no caso) e não o carro - ou seja, vale também se você estiver com um carro alugado em qualquer lugar dos EUA ou Canadá.  Tentei lembrar quantas vezes eu precisei chamar o seguro desde que comecei a dirigir com 18 anos e foram exatas 2 vezes, por isso achei que não valia à pena os outros planos que custavam $69 e $99 (e cobriam o carro, não os motoristas).  Meu tio tem um cartão de crédito da Canadian Tire e deram pra ele o Roadside Assistance de graça - fica a dica.



As principais notícias do Canadá nos meios de comunicação

Aqui assistimos muito um canal chamado CP24 - Toronto's Breaking News (cp24.com)- um desses canais de notícia o dia todo que passa previsão do tempo, trânsito, resultado do jogo de hóquei, tudo numa tela só.  Fora que esse é o canal em que as TVs dos bares etc estão sintonizando e eles também têm uma versão para as estações de metrô, impossível não assistir.  Os principais telejornais aqui são às 18hs (afinal, o povo sai cedo do trabalho e a essa hora já está jantando) e normalmente têm foco local e depois às 22hs onde os jornais têm 1 hora de duração e têm abrangência nacional (são chamados "The National", "National News" etc).  O maior jornal impresso por aqui é o The Globe & Mail (que só folheei algumas vezes) e em Toronto temos jornais locais (ganhamos 3 meses de assinatura aos sábados do Toronto Star).  Revista de notícias, a principal é a Maclean's.

A grande questão é: o que noticiar se aqui não acontece quase nada?  Estou exagerando, óbvio, mas comparado com o Brasil com desgraças, assassinatos, pobreza, corrupção etc o Canadá acaba tendo pouco assunto.

Muitas vezes eu e o meu marido começamos a gargalhar assistindo o jornal - notícias como "homem desconhecido suspeito de rondar casa no bairro X" são tratadas com uma magnitude só possível num lugar onde essas são as piores coisas que podem acontecer.  Acho que com o tempo vamos nos acostumando e não vamos mais nos surpreender vendo notícias assim.

Semana passada "o" assunto na TV, rádio etc era o transporte de 6 mega tóneis de cerveja que a Inbev importou da Alemanha e que precisavam ser transportados do porto de Hamilton até a cervejaria Molson.  Cobertura extensa sobre o assunto, entrevista com o pessoal da empresa responsável pelo transporte etc.  No fim nevou e os coitados não conseguiram completar a viagem no tempo previsto.  Hoje encontrei essa foto no G1, realmente impressionante:


O noivado do príncipe William mereceu super-mega destaque em todos os telejornais além de uma edição especial da revista Maclean's analisando todo o assunto, detalhes da cerimônia, opiniões, artigos, análise do impacto do casamento para a economia canadense etc etc etc.

Hoje infelizmente o assunto na cidade além da neve que atrapalhou a vida de todo mundo, foi um cidadão que roubou uma caminhonete dessas que se usa para tirar a neve (snowplow), dirigiu feito doido pela cidade por quase duas horas e acabou atingindo um policial na cabeça com o snowplow.  A polícia finalmente conseguiu prender o infeliz, mas o policial veio a falecer pouco depois por conta dos ferimentos (link da notícia aqui).  O chefe da polícia estava no hospital aguardando notícias, toda a mídia fazendo vigília do lado de fora esperando notícias sobre a saúde do policial e, depois da má notícia, centenas de pessoas começaram a enviar mensagens de solidariedade e condolências para a família do policial (tudo noticiado, inclusive lendo as mensagens ao vivo no jornal).  Quando eu estava voltando pra casa do trabalho, ouvi no rádio que iam fazer um especial sobre o policial no principal jornal das 18 horas.

Uma coisa que percebi no jornal impresso e na Maclean's é que a maior parte dos textos acabam sendo análises de colunistas sobre fatos de interesse geral do que reportagens em si.  Principalmente no jornal, já que eles precisam imprimir um bem gordinho todos os dias.

Coisa boa: assinaturas de jornais e principalmente revistas são muito mais baratas que no Brasil.  Fazendo uma assinatura, cada exemplar da Maclean's sai 75 centavos - uma pechincha comparando à revista Veja (só do reembolso de parte da assinatura que cancelei antes de vir pra cá recebi R$280) - no nosso caso, pagamos 3 dólares por mês junto com a conta de celular pela assinatura.  Outras revistas também são super baratas para assinar e as assinaturas estão sempre em promoção - ganhei de brinde da Rogers a assinatura por 3 meses da Canadian Business, ainda não comecei a receber.  Ainda estou analisando se farei uma outra assinatura de jornal (talvez do Globe & Mail dessa vez) - e a vantagem é que aqui também temos assinatura só para o final de semana por exemplo.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Comprando carro no Canadá

É o sonho (norte) americano - um carro!

Apesar de Toronto ter um sistema de transporte público muito bom, o Canadá não é a Europa e carro é bastante importante.  Bye bye streetcar (e consequente espera por ele nas esquinas com o pés congelando a sei lá quantos graus abaixo de zero), hello car!

A principal consequência do meu novo emprego foi a necessidade de comprar um carro.  A empresa que vou trabalhar fica em Markham, cidade ao lado de Toronto e 27 km daqui de casa (meia hora pela highway).  Confesso que fiquei feliz, pois se eu tivesse conseguido um emprego em algum lugar com acesso por metrô não teríamos tido coragem de ter esse gasto agora, mas já estamos curtindo bastante.

Passo 1 - OK, recebida a oferta de emprego, primeira providência foi ligar no HSBC para ver quais taxas teríamos para comprar um carro e assim saber qual valor de veículo poderíamos dar uma olhada.  Surpresa: depois de muitas ligações descobri que o HSBC não tem mais financiamento de veículos!  Achei muito estranho e consegui falar com a gerente que tem nos atendido e ela disse que eles não têm financiamento de veículos, mas podem fazer um crédito pessoal para a pessoa comprar um carro.  Surpresa 2: a taxa de juros desse empréstimo pessoal é maior do que a nossa taxa de cheque especial (temos um limite muito bom aqui no Canadá por termos aberto a conta Premier ainda no Brasil).  Recomendação da gerente: compre o carro e pague com cheque especial!  Achei isso uma loucura, perguntei pra ela se não seria prejudicial para o meu crédito e ela disse que não.  Cheguei a pesquisar outros bancos mas a taxas para compra de veículos usados sempre era mais alta que a tal taxa do cheque especial e sabia que de qualquer maneira seria muito difícil conseguir ser aprovado pois estamos aqui há pouco tempo e o meu SIN number é temporário (pois estou agora com work permit e não residência permanente).  Várias lojas de veículos pequenas oferecem financiamento pra quem não tem crédito mas, de novo, as taxas de juros são altíssimas.

Passo 2 - sabendo que iríamos ter que usar nossas economias e o cheque especial pra comprar o carro, o passo 2 foi olhar os anúncios pra saber + ou - que tipo de carro poderíamos comprar levando em conta o dinheiro que tínhamos disponível.  Agora começa a diversão: existe algo como Tabela FIPE no Canadá?  Qual o "Webmotors" canadense pra olhar os carros?  Tem "Melhor Compra" da Revista 4 Rodas canadense?  Pois é meus amigos, o que era relativamente fácil no Brasil, você precisa reaprender quando imigra!  Respostas: não achei uma Tabela FIPE por aqui, achei uns valores chamados Black Book e Red Book mas pra você saber quanto vale o seu carro precisa pagar uma taxa pra acessar o tal do Red Book - li alguns artigos no jornal mencionando os valores de carros usados pelo tal do Red Book, mas cheguei à conclusão que não é uma referência óbvia como a querida Tabela FIPE.  O Webmotors canadense é um site chamado Autotrader.ca - mas que saudade do Webmotors, as opções de busca do Autotrader são bem limitadas comparado ao querido Web.  Outro bom site também é o Wheels.ca.  Não achei um equivalente ao Melhor Compra da 4 Rodas e nem descobri se existe uma revista similar à 4 Rodas (óbvio que existem revistas de carro por aí, mas não consegui encontrar nenhuma do mesmo porte e credibilidade) - tive que recorrer então aos reviews dos carros em artigos de jornais como o The Globe and Mail.

Passo 3 - pegar dicas de quem já comprou.  Liguei pro meu tio pra saber onde ele compra os carros dele e pegar dicas.  Ele falou pra gente se desapegar da história da kilometragem, pois aqui os carros são muito rodados, mas como as estradas são boas isso não é um problema.  Mandei um e-mail também pra Marden, dos blogs Conversa entre Penélopes e Imóvel no Canadá e ela foi suuuuper atenciosa, respondendo várias perguntas, dando dicas, indicando seguradoras etc etc.  Descobrimos que a média de kilometragem aqui é 20 a 25 mil km por ano e que carros com kilometragem mais baixa do que isso são bem mais caros, e mais alta do que isso são bem mais baratos.

Passo 4 - pegar uma estimativa de seguro.  Liguei pra corretora que faz o seguro do nosso apto e pedi uma cotação para 3 modelos diferentes de carros.  As cotações foram altíssimas (conforme eu imaginava) então pedi pra ela ver se a gente mudasse o modelo do carro se faria muita diferença - praticamente nenhuma.  Os principais "problemas" eram o fato de não termos histórico de carteira de motorista nem seguro de carro na América do Norte (não dá pra mudar isso) e de morarmos em downtown Toronto (também não dá pra mudar).  Ela só falou pra eu evitar de comprar Honda pois são os carros mais roubados aqui e consequentemente têm seguro mais caro.

Passo 5 - visitar as lojas de carro.  Tivemos que alugar um carro para ir comprar o carro!  A maioria das lojas de carro e concessionárias não estão em downtown (óbvio), então alugamos um carro da Enterprise por 9,99 por dia por 3 dias pra procurar carro, pois de transporte público não íamos dar conta.  Depois da rápida idéia de comprar um Jeep usado (super barato, mas chegamos em casa e lemos os reviews dizendo que não era uma boa), decidimos focar a busca no Toyota Matrix, que é um Corolla hatch com bastante espaço de porta-mala (não somos fãs de sedan).  Fomos a várias lojas pequenas olhar os Matrix usados e rapidamente aprendemos que carro semi-novo (1 ou 2 anos) no Canadá é muito provavelmente carro que foi de locadora - aqui as pessoas ficam bastante tempo com os carros então o normal são carros com no mínimo 3 ou 4 anos de uso.  Lá fui eu pra internet pesquisar se valia à pena ou não comprar antigo carro de locadora, muita gente fala que sim, muita gente fala que não, mas decidimos que não iríamos correr o risco.

Passo 6 - mais aprendizado.  Depois de 3 dias de visitas frustradas a lojas de carro, com vendedores empurrando carros de locadora sem falar que era de locadora (só descobri pois a chave reserva que estava no porta-luvas tinha o logo da locadora), carros com retoques na pintura tão toscos que até eu percebi, bancos sujos etc, decidimos que iríamos comprar em concessionária.  A Toyota oferece um programa chamado Toyota Certified, onde eles checam 129 itens dos carros usados e dão 1 ano de garantia de motor e câmbio.  Lá fomos nós numa concessionária Toyota, dispostos a pagar um pouco mais por comprar o carro em concessionária - já tínhamos finalmente sacado que também não existe almoço grátis e que os carros das lojas pequenas eram mais baratos por serem antigos de locadora e que teríamos que pegar um carro um pouco mais antigo pra caber no nosso orçamento.  Eles tinham 2 Matrix lá e finalmente fizemos um test drive no carro (as lojas pequenas não permitiram) - o 1o carro que testamos a direção estava vibrando que nem doida, o 2o estava OK.  O 2o tinha kilometragem mais alta que o primeiro e mesmo assim o cara da loja queria cobrar $500 a mais pelo carro (a justificativa dele é que o carro custou mais caro pra ele - e eu com isso?).  Aí ele veio com aquele papo de que iria consertar o outro carro mas, na boa, esse é irmão desse e achamos que era muito risco.  Aí vieram as surpresas: em cima do preço anunciado, eles cobram mais um monte de taxas extras - as famosas "hidden fees": pelo tal do Toyota Certified, queriam cobrar $690; depois mais $500 de sei lá o quê, $200 de outra coisa...  Quando começamos a tentar negociar o vendedor foi meio arrogante, dizendo que a gente tinha um problema pois a gente tinha um budget para comprar o carro - nada de querer ajudar o cliente, mostrar outras opções.  Saímos de lá p. da vida e decididos a pagar um pouco mais caro e comprar um carro zero pra não ter dor de cabeça.

Passo 7 - visitando concessionárias.  Já exaustos com tudo isso, lá fui eu então em concessionárias pra ver valor de carro zero.  Nessa já tínhamos devolvido o carro alugado, então fui nas concessionárias aqui perto de casa.  Os anúncios no jornal eram de taxas de juro super baixas (as vezes até 0%), pois dezembro é um mês bem devagar nesse mercado - fui tentar ver se alguém me dava crédito.  Primeiro fui na Toyota e mudei o discurso - falei que estava olhando Matrix usado e zero e que, se eles conseguissem uma boa taxa pra mim pra financiamento ou leasing, eu pegaria um zero.  O vendedor nem me mostrou o carro, só queria saber do valor da parcela, bem no estilo "quer pagar quanto?".  Ele me fez uma proposta indecente de um leasing dando $5.000 de entrada e 2 anos de prestação que no final eu pagaria um dinheirão e ainda teria que devolver o carro; já pra um Matrix usado me passou um preço mais ou menos à vista.  Lá fui eu na Hyundai (que depois descobri que era do mesmo dono da Toyota e de várias outras concessionárias em downtown) - cheguei com seguinte discurso: eu quero uma Tucson, mas não sei se posso pagar; outra que me interessa também é o Elantra perua.  Na hora o rapaz que me atendeu falou: te interessa uma Santa Fe?  Eles tinham acabado de receber uma Santa Fe 2007 usada que tinha entrado como parte de pagamento, o carro ainda estava sujo e sendo checado pelo mecânico.  Dei uma olhada de longe e falei "meu marido vai querer a Santa Fe", mas lá fui eu olhar o Elantra. O carro é muito bom, tem bastante espaço interno - a Hyundai no Canadá, como no Brasil, oferece mais por menos: mais conforto, tecnologia, garantia por menos que uma Toyota por exemplo.  Eles tinham um carro de demonstração (que eles usam pros test drives) e o vendedor me deu um excelente desconto (apesar de ter uma relativa kilometragem, as montadoras vendem os demos como zero e dão toda garantia).  Como em todas as outras lojas e concessionárias, eles tentaram me pressionar pra fechar na hora, mas voltei pra casa com calma pra discutir tudo com o marido.  Com relação a financiamento, o próprio gerente recomendou eu usar o meu limite do HSBC, pois eles não iriam conseguir uma taxa melhor pra mim.

Passo 8 - a decisão.  Chegando em casa, mostrei o folheto do Elantra pro meu marido e comentei da Santa Fe - ele na hora falou "ah, eu prefiro a Santa Fe".  A Santa Fe usada era beeem mais barata que o Elantra zero, além de ser um carro com muito mais conforto.  E também tem aquela coisa de brasileiro que jamais poderia ter esse carro no Brasil (sem contar o custo da blindagem, rs rs rs).  No dia seguinte liguei de manhã na concessionária e avisei que iríamos mais tarde e gostaríamos de fazer um test drive na Santa Fe.  Chegando lá o carro já estava pronto, esperando a gente.  O marido não precisou de 2 minutos pra decidir que era esse carro mesmo - super estável, confortável e com todos os opcionais (inclusive aquecimento nos bancos, que o meu marido carinhosamente apelidou de "butt warmer").  Decidido, começou a negociação - não foi fácil, ficamos lá quase 2 horas, mas meu marido conseguiu baixar $500 do preço inicial que eles estavam pedindo.  Aqui não existe cobrança de despachante - a loja providenciou o licenciamento, emplacamento etc como cortesia, cobrando o valor que o governo cobra mesmo.

Passo 9 - recebendo as chaves.  Nós demos uma entrada no cartão de crédito e o saldo pagamos apenas na hora de retirar o carro - fiquei impressionada!  Foi tudo muito rápido, nós fechamos o negócio na 4a, 6a de manhã mandei as infos do seguro (assunto pra outro post) e na 6a final da tarde pegamos o carro.  No dia seguinte, já pusemos o pé na estrada em direção aos States, onde passamos a semana do Natal.

Jojo adorou o carro novo!

Principais dicas pra quem está chegando e vai comprar um carro usado:
- Venha preparado com o dinheiro pra pagar à vista.  Financiamento existe sim, mas ser aprovado é difícil e as taxas de juro pra quem não tem histórico são altas.  Mesmo pra quem conseguir emprego, muitas financeiras não liberam o crédito pra quem está em período de experiência (que pode ser de até 6 meses) - a minha empresa concordou em me dar um employment letter sem mencionar que eu estarei no período de experiência (a headhunter negociou isso com eles), mas acabei não precisando.  Pra quem ainda não veio, tente abrir a conta no HSBC Premier e, quando chegar, aceite o limite de crédito de cheque especial (chamado de overdraft limit), pois pode ser muito útil.
- Exija sempre um relatório chamado CarProof - ele mostra onde o carro já foi licenciado (aqui em Ontario carro que já foi licenciado em Québec perde valor!) e, principalmente, se já houve registro de acidentes com o veículo.  Mas fique esperto: muitos acidentes pequenos não são reportados para as seguradoras e não vão para o CarProof!
- Pesquise muito o valor dos carros nos sites AutoTrader e Wheels.ca.  E lembre-se da máxima: quando a esmola é muita, o santo desconfia - desconfie mesmo, pois não existe almoço grátis.
- Fique atento pois muitas lojas falam que o veículo é off-lease (devolução de leasing) mas "esquecem" de mencionar que o tal leasing era de locadora - se o carro foi de locadora, o valor cobrado pela loja tem que ser menor que similares de usuários particulares.
- Não tenha medo de comprar carros com 100, 200 e até 300 mil km.  Óbvio que "you get what you pay for", mas como as estradas aqui são boas e as distâncias são grandes, carros às vezes com 300 mil km podem ser uma opção boa e barata pra quem está chegando.  O carro do meu tio está com 300 mil km e nunca deu dor de cabeça - ele pagou uns 3.000 dólares por ele.
- Se possível, pegue referências com conhecidos sobre lojas para comprar o carro.
- Fique esperto com as "hidden fees".  Outra coisa - a concessionária tentou empurrar pra gente uns 5.000 dólares de coisas extra, como garantia estendida, proteção contra ferrugem etc - como no Brasil, tudo que é comprado em concessionária é mais caro.  Se você tiver interesse em garantia estendida e coisas do gênero, pesquise antes se vale à pena e se existem outras alternativas no mercado.  Nós optamos por não comprar pois o valor era altíssimo e é apenas garantia, não cobre manutenção e desgaste natural.
- Nunca caia da conversa dos vendedores para fechar na hora.  Volte pra casa e pense com calma.  Quando voltar, negocie pois sempre tem um chorinho :-)

Happy driving!

4 meses de Canadá e emprego!

Feliz ano novo a todos!  Esse post estava no rascunho há tempos e com as festas acabei atrasando a postagem.

É isso aí pessoal!  Um pouco antes de completarmos 4 meses de Canadá no início de dezembro consegui meu emprego!  Uhu!  Começo dia 4 de janeiro, o que foi ótimo pois não precisamos mudar nossos planos de final de ano.

Consegui um emprego exatamente no que eu queria (e que estava tentando no Brasil e não conseguia de jeito nenhum).  Tenho experiência suficiente para um cargo de gerência, mas conversando com os headhunters daqui todos recomendaram que eu tentasse vagas de assistente para poder me familiarizar bem com o mercado e depois sim ir pra gerência.  O famoso dar um passo pra trás para depois dar dois pra frente.  Já fiz isso no passado e valeu muito à pena!

Esse emprego agora em dezembro foi fruto da minha pesquisa que começou ainda no Brasil (pra quem não leu, segue link do post).  Aos poucos fui entrando em vários grupos de emprego/marketing no Canadá e descobrindo vários headhunters.  Essa empresa de recrutamento foi uma das que apareceu na minha pesquisa e me cadastrei no site deles.  Passei então a receber e-mails de vez em quando com vagas.  Na semana anterior à nossa vinda, mandei meu CV pra uma vaga que vi em um dos e-mails e na nossa 2a semana no Canadá uma das headhunters (Tracy) me chamou para a entrevista.  Na época não deu em nada, mas vi que ela gostou muito de mim.  Nesse meio tempo, fiz vários processos, mandei zilhões de CVs e num momento em que eu estava meio pra baixo pela falta de retorno, peguei o telefone e liguei pra essa headhunter.  Ela custou alguns segundos pra lembrar de mim e depois falou que não imaginava que eu ainda estaria procurando depois desse tempo todo - ou seja, tinha esquecido de mim e não estava me considerando para novas vagas.

Na hora que eu liguei ela falou que a outra HH que trabalha com ela, a Laura, tinha uma vaga perfeita pra mim.  Nisso ela falou com a Laura e ela disse que já tinha fechado a vaga com outra candidata, mas a Tracy já começou a ver outras coisas pra mim.  Poucos dias depois a Laura me liga e a outra candidata tinha desistido e ela estava começando a busca do zero de novo.  Fui até o escritório dela conhecê-la pessoalmente e ela já me avisou que a principal preocupação dela e provavelmente da empresa seria o fato de eu ser superqualificada para a vaga.  Mas, vamos em frente.  1a rodada de entrevistas na empresa, falei com o meu futuro chefe e a diretora de RH.  Meia hora depois, ela me liga marcando outra rodada para o dia seguinte, dessa vez com uma das diretoras de marketing e a pessoa de vendas responsável pela marca.  Isso foi numa 6a feira.  No domingo me liga a Laura de novo desesperada, pois a empresa queria marcar uma outra entrevista pra mim, dessa vez com a VP de marketing, pra 2a feira de manhã pois na sequência ela ia viajar.  Deu tudo certo e lá fui eu fazer a entrevista.

A Laura me ligou depois dizendo que eles tinham gostado muito de mim e queriam agora checar as minhas referências.  Ela pediu 2, acabei dando 3 e ela ligou pras 3.  Obviamente escolhi minhas referências a dedo, só ex-chefes que tinham muitos elogios a fazer.  Na 4a feira ela me liga para dizer que eles estavam prontos para fazer uma oferta, mas que meu futuro chefe queria apresentar a oferta pra mim pessoalmente.  Achei isso bárbaro e ele, super atencioso, marcou o meeting em downtown para eu não precisar ir até Markham (uma cidade ao lado de Toronto, onde fica o escritório da empresa).

Encontrei com ele num Starbucks aqui no centro e ele me apresentou a proposta.  Fiquei super feliz, pois eles aumentaram em 5% o valor do salário, pois levaram em conta que eu tinha mais experiência etc.  Também falou que eles já conversaram internamente e que pretendem que eu mude de marca depois de + ou - um ano para que eu consiga ter uma visão bem ampla do mercado.  Uma coisa que eles precisam fazer nessa empresa por conta de acordos de importação com os EUA é um background check completo - juro, pediram mais coisas que o consulado canadense, rs rs rs.  Eles contratam uma empresa que faz background checks no exterior para ver se a pessoa não tem problemas com a justiça etc etc e inclusive, checagem com antigos empregadores (a Laura me contou que um candidato, canadense inclusive, tinha sido condenado não sei em que país por ter roubado dinheiro da empresa).  Apesar de eu não ter nenhum problema com a justiça confesso que me senti um pouco invadida sabendo que uma empresa X estava chafurdando a minha vida Brasil a fora, mas faz parte.

Impressionante como o mundo é globalizado: uma brasileira vai trabalhar numa empresa americana no Canadá, com um chefe indiano, com marcas voltadas para o público imigrante do sudeste asiático.  Que francês que  nada, o importante por aqui é falar mandarim!

Ano novo, emprego novo, vida nova!

Feliz 2011 pra todos!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Alugando carro em Toronto (e outros lugares no Canadá)

Oi pessoal,

Achei pertinente colocar esse post, pois há várias opções para locação de carro em Toronto (e imagino que muitas estejam disponíveis em outros grandes centros urbanos do Canadá).  Muuuuita gente aqui não tem carro - quem mora e trabalha em downtown normalmente não tem, pois apesar do carro ser barato o custo de manutenção, seguro, estacionamento etc muitas vezes não compensa: o melhor é ir e voltar pro trabalho de metrô/ônibus/streetcar e alugar um carro quando precisar.

Na semana seguinte que tiramos nossa super carteira G, fomos convidados pra uma pizza na região de Richmond Hill, que fica a uns 35 kms daqui de casa.  O meu marido já tinha ido até lá de transporte público e, apesar de ser fácil, demora 1 hora e meia, é preciso pegar 2 metrôs e um ônibus intermunicipal - o que acaba encarecendo também.  Multiplique isso por 2 pessoas ida e volta e a preguiça de ficar esperando sabe-se lá quando tempo pelo ônibus (aos finais de semana a frequência é muito menor), fomos estrear nosso aluguel de carro.

Alugamos o carro por 1 dia na empresa Enterprise - dei muita sorte, pois conseguimos desconto através de uma amiga e o aluguel ficou apenas $20.99 pra 1 dia (o normal nessa empresa em downtown é $30, que acho bastante razoável).  Dei o cartão de crédito pra cobrir o seguro e lá fomos nós.  A coisa "tricky" dessa empresa é que cada loja abre em um horário diferente no final de semana - para evitar ter que pagar 2 diárias, precisei ir até a única loja de downtown que abre tanto sábado quanto domingo.  Não preciso nem dizer que foi ótimo ter ido de carro - ao invés de 1 hora e meia demoramos apenas 30 minutos, de lá ainda fomos no shopping Vaughn Mills (que é o outlet daqui e eu queria conhecer há tempos) e ainda passamos na Ikea (já carregamos muitas compras da Ikea de metrô e é um pesadelo).  No dia seguinte antes de devolver o carro, ainda fomos comprar a ração da Joy (foi a sorte, pois a loja aqui perto de casa estava sem a ração dela e ninguém merece ir buscar de metrô o pequeno saco de 7.5 Kgs da dita-cuja) e ir no supermercado - vocês não imaginam a alegria que foi ir ao supermercado de carro, ah como a gente valoriza as pequenas coisas da vida!  Aqui perto de casa temos 2 supermercados, mas são bastante simples (e baratos), mas acabam tendo pouca variedade de produtos - acabamos indo num Loblaws que fica a 5 minutos de carro, mas no way ir andando ou de metrô.

A Enterprise também tem uma promoção bárbara aos finais de semana - de 6a a 2a, alugue um carro por $9.99 por dia!  Isso mesmo, 9.99 por dia!  O "catch" aqui é que a promoção só é válida nas lojas de bairro (pegamos esse final de semana e fomos até depois do fim de Toronto buscar o carro) e estão incluídos 100 Km por dia (ou seja, não dá pra usar pra fazer uma super viagem, mas pra resolver pendências, ir na Ikea, no supermercado, buscar alguém no aeroporto ou apenas passear...).

Todas as grandes locadoras como Budget, Avis, Alamo etc estão presentes aqui - e aí o importante é acompanhar as promoções.  A Alamo até pouco tempo estava com uma promoção ótima para final de semana também, com kilometragem ilimitada.  Uma outra opção é uma chamada "Wheels4Rent", que aluga carros usados - o bom deles é que o preço é fixo, sempre o mesmo, é só entrar no site e olhar.

Dicas importantes ao alugar:
- Checar quantos kilometros se pode rodar sem pagar extra - às vezes as promoções têm limitação e as distâncias aqui podem ser grandes!
- Ver se eles cobram extra se a sua carteira é G2 (a Wheels4Rent cobra $5 a mais por dia)
- Ver se pode sair da província com o carro - algumas impõe essas limitações
- Checar se, ao sair da província, sua kilometragem muda (a Enterprise dá KMs ilimitados dentro da província ou 200Kms por dia se você cruzar pra outra - no caso de precisar de mais KMs, eles cobram $10 a mais por dia para dobrar essa kilometragem)
- Checar se é cobrado por motorista adicional.  A Enterprise não cobra se for cônjuge, a Alamo cobra $11 por dia, a Budget me cobrou ano passado quando viemos acho que $25 (eu não tinha perguntado sobre isso antes e dancei) - isso pode alterar completamente o seu budget
- Fazer sempre a reserva pela internet antes, pra garantir o valor
- Ver a distância da sua casa até a locadora e perguntar se eles podem te buscar (a Enterprise já veio me buscar em casa 2 vezes e para uma loja que fica no subúrbio, eles têm um shuttle até o metrô)

Um outro modelo de aluguel cada vez mais comum por aqui é o chamado carro compartilhado ou aluguel por hora.  As duas empresas que operam aqui em Toronto são a AutoShare e a Zipcar.  Funciona basicamente assim: você precisa se cadastrar (eles checam se seus documentos estão OK), pagar uma taxa, escolher o plano, fazer as reservas e sair usando.  As principais vantagens desse sistema é que o seguro e combustível já estão incluídos no preço e eles possuem várias localidades, principalmente downtown (temos dois carros da AutoShare dentro da garagem do nosso prédio), além da facilidade pois está tudo pré-aprovado, não tem que fazer ficha toda hora etc - e na AutoShare, o tempo que você for membro conta como histórico de seguro, assim você tem desconto se um dia precisar fazer seu próprio seguro.  Quando saiu nossa carteira G nós íamos fazer o plano do AutoShare, mas acabamos desistindo pois achamos que os "contras" não compensavam se comparados a uma locadora de carros comum - eles são principalmente o valor por hora (que é alto, se comparado ao valor por dia das locadoras comums) e o fato de que, se você atrasar pra devolver o carro, as multas são altíssimas ($20 dólares se for até 30 minutos, + $25 se você não avisar a empresa que vai atrasar, de 31 minutos a 1 hora, sobre pra $40) - achamos isso muito complicado pois Toronto é uma cidade com trânsito pesado sim, principalmente na hora do rush nas highways e se estiver nevando por exemplo.  Aí fizemos as contas e percebemos que para estarmos "safe", teríamos sempre que alugar o carro por um período bem maior que o planejado e aí já valeria à pena ir numa locadora normal alugar por 24hs e pronto.  A, outro ponto negativo (que seria a principal vantagem do sistema, mas não é), é que você é obrigado a devolver o carro onde pegou, não dá pra pegar um no prédio, devolver em outro ponto, fazer sua reunião, e pegar outro pra ir pra casa - os carros precisam ser devolvidos onde foram retirados e justamente aí você é obrigado a reservar por mais tempo.  Vejo muita gente usando o sistema aqui (tanto AutoShare quanto Zipcar) e a conta que o pessoal faz é comparando aos custos de manter um carro, não a minha conta comparando com o aluguel de uma locadora comum.

Pra quem se interessar, abaixo uma tabelinha com vários valores direto do site da AutoShare.  Ah, e a AutoShare exige que sua carteira seja G full (ou seja, se você conseguiu apenas a G2 não consegue ser membro - parece que a Zipcar aceita).


Cada caso é um caso, vai de cada um avaliar o que vale mais à pena.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

E aí, valeu à pena pagar excesso de bagagem pra trazer toda a bugiganga de vocês?

Nas últimas semanas vi uns dois ou três posts em blogs de pessoas que ainda não vieram se perguntando se vale à pena pagar transportadora, excesso de bagagem, trazer tudo, não trazer nada etc.  Pra quem acompanha o blog há mais tempo, deve se lembrar que nós viemos com 9 caixas além das 4 malas normais (dêem uma olhada aqui).

A resposta é: valeu sim à pena!  Nós viemos de United e a empresa cobra apenas US$100 de excesso de bagagem por cada volume de 32Kg.  A idéia inicial era trazer apenas 1 caixa a mais cada um, mas conforme eu e minha mãe fomos arrumando as coisas fomos vendo que simplesmente não teríamos onde deixar tudo.  Quem me convenceu a fazer isso foi meu marido, com o seguinte raciocíno - se deixássemos as caixas no Brasil para cada um que fosse visitar trazer, teríamos que pagar um táxi extra pra pessoa ir pro aeroporto pq não caberia a caixa + malas + pessoas num táxi só (só aí no mínimo R$80).  E quando a gente fosse bucar essas pessoas no aeroporto de Toronto, não iria caber todo mundo no carro e teríamos que pagar mais CAD 45 pra um táxi extra - só aí já pagou as 100 doletas de trazermos as coisas com a gente.

E tem também um outro lado: ter as suas coisas com você faz com que a sua  nova casa tenha mais jeito de "casa", pois tem objetos de valor sentimental.  Além disso, se você deixar por exemplo um balde de gelo na sua caixa pra um dia alguém trazer, antes de um parente vir visitar você vai precisar de um balde de gelo e vai acabar comprando um aqui e ficando com dois no total (é só um exemplo, eu vendi meu balde de gelo e ainda não comprei outro - apesar de já ter precisado de um).  Nossos cumpadres quando vieram pra cá não sabiam quanto tempo iam ficar e deixaram tudo num storage - no final, acabaram comprando tudo novo aqui e depois de morrer com um dinheirão de storage no Brasil acabaram dando/doando pra um amigo que vai pagar um dia (e estão super felizes de não terem mais que pagar o raio do storage).

As coisas que acho que mais valeram à pena trazer:
- Faqueiro Tramontina: tínhamos 2 faqueiros, um mais chique e um do dia-a-dia bárbaro da Tramontina.  O chique ficou no Brasil para vir um dia e o do dia-a-dia trouxemos.  Joguei fora a caixa de madeira e coloquei tudo numa caixinha minúscula de papelão - total 6kg por um faqueiro que custou quase 2 mil reais.  Claro que aqui há opções de talheres baratos, inclusive na própria Ikea, mas se você tiver um faqueiro bom traga, pois jamais vai conseguir vender por um valor bom no Brasil e por apenas 6Kg de excesso vale mais do que à pena.
- Jogo de travessas: de novo, presente de casamento que foi caríssimo.  Ainda não usei (nem usava muito no Brasil) mas jamais compraria outro aqui da mesma qualidade.
- Jogo de fondue: idem acima.  E ainda foi presente do meu irmão.
Tudo o que aparece na foto veio do Brasil
(menos a comida e as tulipas, claro!)
- Enfeites diversos: aí entram lembranças de viagem de todos os tipos (já viajamos muuuito), vaso de cristal, centro de mesa de vidro, centro de mesa de madeira... já está tudo "adornando" a nova casa, o vaso de cristal inclusive com flores frescas dentro pra dar "vida" pra casa no inverno.
- Enfeites de Natal: trouxe apenas os que tinham algum valor emocional e valeu muito à pena.  Nossa árvore está uma graça!
- Jogo de facas Tramontina, pazinhas de patê e coisinhas pequenas de cozinha: ocupam pouco espaço e se você não trouxer terá que comprar logo.  Jogo de facas tem de todos os preços, mas foi uma despesa a menos que tive ao chegar aqui e minhas facas vão durar a vida toda.  Se eu tivesse comprado um jogo minimamente decente aqui, teria sido no mínimo uns 50 dólares - como o jogo é pequeno, coube ele, a base de madeira e mais zilhões de coisas na caixa de 32Kg.
- Roupa de cama: nossa cama no Brasil era Queen com colchão bem alto (como as daqui).  Tinha comprado há relativamente pouco tempo 2 jogos de lençol que trouxemos.  Dá pra comprar aqui por uns $40 (muuuuito menos que paguei no Brasil), mas economizei $80 na chegada.  Trouxe também uma manta térmica que comprei há tempos, enfiei na Space Bag e pronto, não precisei comprar manta na chegada (depois precisamos de um edredon com a chegada do inverno).
- Roteador de internet: pesquisei em alguns fóruns pra ver se valia à pena.  Ele é pequenininho e item de 1a necessidade.  Nosso provedor é a Rogers, eles até têm modem com roteador embutido mas é mais caro.  Foi só pegarmos o modem baratex e pronto - ah, lembrando que precisei trazer adaptador de tomada, pois o plug é brasileiro (trouxe um filtro de linha com plug brasileiro e todos os adaptadores de tomada que encontrei na minha casa!).

Algumas coisas acabaram vindo que nem precisariam ter vindo num primeiro momento como livros, álbuns de fotos etc.  Mas aí valeu o raciocíno de que não valeria à pena deixar no BR pra depois gastar $ pra alguém trazer pra gente.

No total, deixamos umas 4 caixas de 32Kg mais alguns itens de decoração como a girafa que meu marido trouxe da África (só ela já é um volume de bagagem), o mapa-mundi etc.  Ainda não tivemos ninguém pra trazer as coisas (ainda bem, pois o apê é pequeno) mas ano que vem provavelmente meus pais vêm visitar e nós provavelmente passaremos Natal no Brasil, só aí já dá pra trazer bastante coisa.

Ah, vale lembrar que com o extremo cuidado que os carregadores de bagagem e os inspetores americanos lidaram com as caixas algumas coisas não sobreviveram a viagem (uma vaquinha de cerâmica linda, um vaso que meu marido fez na aula de cerâmica dele e mais algumas outras coisas).  Juro, na escala em Washington o inspetor de bagagem estava com a caixa na altura do peito e, como ela não entrava no raio-X, o cidadão simplesmente abriu os braços  e deixou a dita-cuja cair no chão de mais de um metro de altura - e eu vendo tudo isso, pois estava na salinha por causa da Joy.  Recomendação para itens muito frágeis: embale ao máximo, coloque em caixa de madeira (o vaso e o pote de vidro da foto por exemplo vieram dentro de caixas de madeira dentro das caixas de papelão, devidamente escorados por tudo que é tipo de acolchoamento).  Uma das caixas que sobraram tem um vaso de vidro lindo em tons de laranja que ficaria ótimo na minha sala agora - meu tio até estava no Brasil esse mês mas nem pedi pra ele trazer a caixa pois ele faria escala nos States - nesse caso, prefiro que alguém venha de Air Canada para pelo menos minimizar o risco do vaso chegar aqui em pedacinhos...  Independente disso, os americanos abriram praticamente todas as caixas (quando abrimos tinha o bilhetinho em quase todas), mas com extremo cuidado que praticamente não percebemos, só fomos saber mesmo na hora de ver o bilhetinho.  Uma das caixas inclusive chegou aberta no aeroporto de  Toronto (acabou arrebentando a fita adesiva que puseram) e a única coisa que dei falta foi um grampeador!

Só como informação, eu cheguei a cotar com 2 empresas de mudança trazer todas as caixas, girafa etc pra cá como carga e a reação foi  "é só isso que você tem?  Vale à pena pagar excesso de bagagem e pronto".  O custo para trazer como carga acaba sendo muito maior pois é preciso pagar várias taxas, despacho aduaneiro etc - só vale à pena mesmo pra quem vem com muita coisa.  Não preciso nem falar de novo que itens de casa como cama, sofá, móveis, eletroportáteis etc não vale à pena trazer - consegui comprar tudo novo por menos do que vendi meus itens usados no Brasil.

sábado, 4 de dezembro de 2010

1a experiência com o sistema de saúde canadense e remédios para sua farmacinha

Já faz mais de um mês, mas como é assunto de preocupação de 99.9% dos brasileiros candidatos a imigração, acho que vale à pena o post, mesmo que atrasado.  Vou ter que entrar em alguns detalhes do problema que tive, senão o post não vai fazer sentido - sorry pra quem não for tão fã de assuntos médicos.

Na última semana de outubro mais ou menos na 2a ou 3a feira comecei a sentir um ardorzinho ao urinar - que eu já conheço como a famosa infecção urinária, aqui conhecida como UTI (urinary tract infection).  Eu ao longo da vida já tive várias dessas (uma a cada 2 anos talvez) enão já sei como funciona, até por ser filha de médico.  Fiz uma consulta com papi por Skype que me recomendou tomar um antiinflamatório e aguardar (às vezes é alarme falso, já aconteceu comigo) - fora que UTI's precisam ser tratadas com antibióticos e não  é bom ficar tomando antibiótico à toa.

Passou 2a, 3a, 4a, 5a, 6a... e o incômodo aos poucos piorando, mas nada do outro mundo.  Na farmácia perguntei se não tinha Pyridium (pra quem não conhece, o único analgésico que age "lá" para alivar a dor ao urinar e o senhor falou que há alguns anos o produto tinha sido tirado do mercado - nem com receita, nem sem receita) - aff!!!!  Nós estamos aqui com visto de estudante então não temos direito ao OHIP propriamente dito, mas pagamos pelo "UHIP" (para estudantes estrangeiros), que tem cobertura igual ao do OHIP mas é pago e funciona como o convênio do Brasil - alguns (apenas alguns) hospitais são credenciados, outros hospitais, walk-in clinics, médicos de família etc tem que pagar e depois pedir reembolso - ou seja, motivo pra eu adiar ao máximo ir ao médico/hospital.  Quando chegou no sábado já estava me contorcendo de dor e na "consulta via Skype" meu pai falou pra eu ir de vez no hospital porque não tinha mais jeito, tinha que fazer o exame pra saber se era mesmo infecção e pegar a receita do antibiótico.  Aos sábados a maioria das walk-in clinics estão fechadas de qualquer maneira, então o único jeito numa emergência é ir pro hospital.

Esse dia foi dia da festinha de Halloween aqui no prédio, que eu não queria perder.  Antes falei com a minha tia que já mora aqui faz tempo e me falou de alguns hospitais e na festinha falei com a Rafaela do blog Projeto Racoon que mora aqui no prédio (morava, estão de mudança hoje pra Vancouver!) e ela me falou do St. Michael's Hospital que fica aqui em downtown mas que era cheio pois todo mundo que trabalha em downtown vai nesse hospital.  Como era sábado tarde da noite (e downtown está vazio nessa hora) e eu também não ia ficar que nem doida atrás de hospital, pegamos um táxi e fomos pra lá mesmo (uns 10 minutos daqui, nem isso).  Fomos munidos de livro, garrafa d'água, meu marido levou o computador pra fazer trabalho da faculdade, iPhone carregado etc, tudo para a espera que não sabíamos de quanto tempo ia ser.

Chegando lá já me sentaram direto na cabine da triagem com uma enfermeira que na hora coloca aquele aparelhinho no seu dedo que mede alguns sinais vitais.  Ela perguntou o que eu tinha etc etc, tentei exagerar um pouco pra ficar mais dramático e fazer cara de dor (não custa tentar, né?), nisso ela pediu pra eu aguardar.  1 minuto depois o rapaz da outra janelinha me chamou e pediu meu cartão de saúde - pra nossa sorte, o UHIP era aceito pelo hospital e não precisei por a mão no bolso o que foi ótimo, um problema a menos.  Pegou meus dados todos etc e  me deu uma pulseirinha e pediu pra eu aguardar.  Eu vi o tamanho da sala de espera e a quantidade de gente que tinha lá e não me pareceu muita gente não - de vez em quando entrava um estrupiado ou um velhinho de maca sendo trazido pelas ambulâncias que entravam direto - obviamente em um ER, caso grave passa na frente.  Tinha até uma senhorinha chinesa que precisava do filho pra traduzir, pois ela não falava inglês.  Todos os paramédicos super pacientes, com toda a atenção e eles precisavam ficar lá até os pacientes entrarem para tratamento efetivamente.

Esperei uma meia hora (ou até menos) e a enfermeira me chamou.  Falei de novo o que eu tinha e ela já me deu o copinho pro exame e falou um "you know the drill".  Fui ao toilette pra pegar a amostra e fiquei um pouco mal impressionada com o cheiro de urina do banheiro - sabe-se lá quando havia sido a última vez que alguém tinha passado um paninho por lá.   Enfim, o copinho não era tão "chique" como os copinhos do Delboni Auriemo em SP, mas dava pro gasto.  Entreguei minha amostra para a enfermeira e ela pediu pra eu esperar na sala de exame - sim, tive uma sala de exame só pra mim o tempo todo, com maca, poltrona etc etc.

Uma meia-hora depois apareceu um estudante de medicina com o resultado do meu exame - que só pela cor da amostra eu já sabia que era infecção mesmo.  Ele fez um exame clínico, apertou aqui e ali, perguntou se estava sentindo alguma dor na região dos rins etc e ele falou o que eu esperava - você tem uma UTI e vou te passar um antibiótico.  Eu pensei - beleza, era isso que eu queria mesmo.  Meu pai já tinha mandado avisar que eu não podia tomar Bactrim, que é muito receitado nesses casos - avisei o med student e ele prontamente mudou o antibiótico, pois era esse mesmo que ele ia me passar.  Só para esclarecer, o med student apesar de ter me visto sozinho voltou o tempo todo pra falar com o médico de plantão, que foi quem assinou a minha receita.  Na boa, pro meu caso que era bem simples, concordo que não faria sentido gastar "recurso" de um médico "inteiro" quando o estagiário resolvia.  Perguntei pra ele se eles não iriam fazer a cultura da amostra (pra quem não está familiarizado, nesses casos normalmente depois de identificada a infecção, faz-se uma cultura pra ver exatamente qual bichinho responsável por ela.  Os médicos em geral receitam antibióticos de amplo espectro assim que identificada a infecção, mas a cultura é importante pois se o 1o antibiótico não der certo, uns 2 dias depois sabe-se exatamente o bichinho e qual o antibiótico "matador").  Resposta dele - nesse caso não!  Enfim, depois perguntei pra enfermeira: e seu eu não melhorar?  Ela falou: volta aqui daqui a 3 dias!  Perguntei do Pyridium, o coitado do med student nunca tinha nem ouvido falar do princípio ativo do remédio.  Recomendação da enfermeira - se tiver dor, toma um Advil! - uhun, estou tomando há 5 dias e não faz nem cosquinha na dor, pensei.  Falei pro rapaz da farmácia que tenho certeza que foi um homem que tirou o Pyridium do mercado, pois mulher tem muito mais UTI que homem e o tal homem nunca teve dor ao urinar na vida!  O cara deu risada!

Dia seguinte, nova consulta com papi pelo Skype.  O médico me receitou Cipro por 3 dias - aí meu pai entrou no site com a bula do Cipro e viu que o recomendado para infecções urinárias é de 10 a 14 dias, não 3.  Como Cipro fazia parte da farmacinha que eu trouxe do Brasil, tomei os 3 dias que o médico daqui me passou e mais 7 do meu próprio estoque.  Felizmente depois dos 3 dias o remédio deu conta do bicho, pois a dor finalmente passou, mas enquanto isso fiquei me contorcendo de dor como nunca.  Cheguei a pensar "quanto eu daria por um Pyridium agora?  Uns 100 dólares..." e quase pedi pros meus pais colocarem uma caixa num envelope da FedEx - mas aí fiz a contas e até o remédio chegar a dor já teria passado (e foi o que aconteceu) e não ia adiantar mais.

Nessa história toda, descobri que minha tia e minha prima já tinham tido a mesma UTI aqui no Canadá e passaram pelo mesmo que eu e quase morreram de dor.  Minha tia já tinha pesquisado e nos States existe uma empresa que vende sem receita um teste (como se fosse de gravidez) para você ver se tem ou não a infecção (suficiente pra saber se precisa ir ao médico ou não pra pegar a receita do antibiótico) - além de tudo, eles têm também OTC (sem receita) um analgésico específico que contém o princípio ativo do Pyridium!  Cruzei a fronteira semana passada mas infelizmente na farmácia da cidadezinha onde eu fiz intercâmbio não tinha nem um, nem outro - já achei na Amazon americana, vou comprar lá e mandar entregar nos States pra pegar quando for pra lá passar o Natal.

O aprendizado dessa 1a experiência com o sistema de saúde canadense no meu caso foi - tenha sua farmacinha pronta!  Não estou aqui querendo incentivar a auto-medicação, mas pra quem tem acesso a médico como no meu caso, às vezes uma boa consulta por Skype e o antiinflamatório/antibiótico certo resolve o problema sem horas de espera em hospital ou clínica.  E a outra tirada, essa do meu pai, foi: a Joy tem melhor tratamento médico do que vocês (e tem mesmo, o veterinário dela até mandou e-mail pra perguntar como ela estava essa semana, pois tive que levá-la para vacinas e vômitos que ela tinha tido).

No caso da minha farmacinha, o que veio:
- Cipro 500 mg - 2 rodadas de 14 dias.  Antibiótico de amplo espectro, bastante potente.
- Amoxicilina 500mg - 2 rodadas de 14 dias.  Também antibiótico, mas para casos mais leves.
- Feldene (piroxican) - antiinflamatório que eu estou acostumada a usar (e já usei aqui)
- Quadriderm - pomada dermatológica para 4 (quadri) problemas
- Trofodermim - creme cicatrizante e antibiótico de ação local (já precisei usar)
- Estoque de anticoncepcional e outros remédios que estávamos usando na época da viagem.

O que vai vir (minha prima está indo pro Brasil, já está encarregada de trazer)
- Amplo estoque de Cipro (pra repor o usado e ter de back up)
- Repor um pouco do Piroxicam
- Talvez um Bactroban -  pomada antibiótica, custa caríssimo, mas vale cada centavo
- Mais uns meses de anticoncepcional, só pela preguiça de procurar um médico de família enquanto estivermos no UHIP
- ESTOQUE DE PYRIDIUM!!!!  Nunca senti tanta dor numa UTI na minha vida e não pretendo sentir de novo!

Só lembrando, desde a semana passada a ANVISA passou uma regulamentação que antibiótico só pode ser vendido com retenção de receita (aquela em 2 vias, com receituário do médico mesmo).  Pra quem ainda não veio, vale à pena falar com um médico na família pra ver se é o caso de trazer (até por que, não pode ir se auto-medicando, precisa de orientação médica).  Remédios simples como Tylenol, Aspirina, Advil etc são todos encontrados facilmente sem receita aqui - inclusive Voltaren emulgel (que é o Cataflan emulgel, outro dia li num blog uma pessoa recomendando trazer - a empresa dona usa nomes diferentes para o mesmo medicamento em países diferentes, já fiz um projeto pra eles).  E trazer remédios que estejam acostumados a tomar, até que haja tempo de encontrar médico etc etc.

No geral não achei a experiência "traumática" como muitos tiveram, mas não tem como não ser diferente do tratamento que se tem com médicos e laboratórios particulares no Brasil.  Fui muito bem atendida por todos no hospital, só não entendi porque da "economia" na hora de prescrever o remédio, já que quem pagou por ele fui eu.  Acho que a revolta maior no meu caso foi não existir o analgésico para esse caso aqui no Canadá, o que me fez passar dias me contorcendo de dor, sem conseguir dormir, por uma coisa simples.  Vi um pessoal do Facebook também reclamando horrores, pessoas que têm dores crônicas, todas sem o remédio e tentando de todo jeito conseguir (comprando via Amazon e coisa do gênero).